Curiosidades

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Pão alentejano

Numa região que durante décadas foi o “celeiro de Portugal”, o pão só podia ser farto e do melhor. Mas mesmo antes das planícies alentejanas se encheram de searas douradas já este alimento fazia parte do quotidiano das gentes do Alentejo, tornando-se naquilo que ainda é hoje: o pão nosso de cada dia. Reza a história que foram os romanos a intensificar a panificação na Península Ibérica, embora haja vestígios anteriores de um tipo de fermentação (a partir da espuma da cerveja) que fazia um pão diferente, mais leve e esponjoso. Com a ocupação moura em Portugal, a cultura alimentar muçulmana passou a fazer parte do ADN da gastronomia alentejana, influenciando até a forma de comer o pão. De facto, uma das mais antigas receitas muçulmanas – o tharid ou târida – já fala do pão mergulhado num caldo aromático e temperado com azeite, ao qual ainda se podia juntar carne ou vegetais. Tal qual as açordas ou o ensopado alentejano…

Já no final do século XIX, o fabrico do pão no Alentejo refletia o estatuto social e económico de quem o consumia. Um texto da época revela que o pão de trigo – branco e ralo – era “respetivamente para amos e criados de portas adentro”, enquanto o de centeio “denominado macarrote” estava destinado aos “criados e malteses” e o pão de farelos de centeio, “as perruanas”, servia de alimento aos “os cães de gado”.

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Bolo Podre

É quase certo que este manjar tenha origem monástica, vindo das mãos delicadas de freiras alentejanas. 

A Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural fala de possível criação do Convento de Nossa Senhora da Esperança no século XVI e de posterior adaptação do Convento de Santa Clara no século XIX – presumimos que o primeiro convento mencionado seja o de Vila Viçosa e o segundo o de Évora, mas a descrição não especifica.

Quanto à razão para o nome, o desconhecimento impera. Aventura-se uma situação relacionada com o longo tempo que o bolo consegue aguentar em caixa fechada sem perder qualidade, fazendo com que seja comido em alturas em que já deveria estar putrefato.

Até há poucos anos atrás, era um dos bolos que não faltava nas cozeduras de fornos a lenha, que faziam parte da época da Páscoa. Este bolo foi dos últimos a ser consumido por um longo período de conservação.

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Bolema ou Boleima

Bolo em forma de quadrado ou de retângulo, de feitura simples e fabricado com ingredientes «modestos», tem certamente uma origem popular. Fabricado com massa de pão de trigo, açúcar, azeite, banha e canela.

Começou por ser confecionado com o aproveitamento dos restos de massa do pão de trigo obtidos durante a «amassadura» e sem ovos. Amassavam-se os bocados de massa de pão com as gorduras, o açúcar e a canela até se obter uma massa pastosa que se levava a cozer no forno durante a cozedura do pão ou imediatamente após, em tabuleiros untados com banha.

Era, e ainda o é, utilizado como um suplemento alimentar, consumido ao pequeno-almoço, ao lanche ou durante o dia, sobretudo nas zonas rurais onde ainda se fabrica pão artesanalmente.

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Filhoses

Especialidade  gastronómica portuguesa , muito comum nas regiões do interior, em especial no Alentejo, nas épocas do Carnaval e Natal. É uma massa frita feita com ovos, banha, manteiga, aguardente, açúcar, sal e farinha até tenra.

Tradicionalmente os filhos eram feitos na quinta-feira das comadres (quinta-feira anterior ao Carnaval) para se apresentarem como comadres, familiares e amigos. Em qualquer casa havia uma mesa cheia de pratos com fritos e outros doces, durante toda esta época.

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Mel

Na Serra D´Ossa, serra do Alto Alentejo, situada entre Estremoz e Redondo, existe um conjunto fatores ambientais ideais para a produção de mel. Desta flora é extraído um mel com aroma, cor e sabor muito específicos.

O Mel é o único produto alimentar produzido por insetos e possui todos os ingredientes necessários para nos manter vivos. Ele contém água, vitaminas, minerais e enzimas necessárias para fornecer energia ao corpo.

O Mel é utilizado na nossa alimentação e são lhes reconhecidas muitas propriedades terapêuticas, como por exemplo: aumentar as defesas do corpo; aliviar a dor de garganta, asma e tosse; tratar problemas gastrointestinal; melhorar a saúde do coração, do colesterol e diminuir os triglicerídeos; combater bactérias e fungos em feridas e ajudar na memória e ansiedade.

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Ameixas d' Elvas

Presume-se que a Ameixa d' Elvas teve origem em França, tendo sido inicialmente importada como uma árvore ornamental para jardim. Esta fruta tem sido famosa desde a época de Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. A sua fama foi reservada até à Grã-Bretanha, onde foi muito apreciada. O próprio Lord Wellington pediu para que lhe servisse esta fruta durante o tempo que passou em Portugal. Em 1834, José Guerra iniciou a produção em grande escala esta ameixa. A Ameixa d'Elvas recebeu uma medalha de bronze na Exposição de Paris de 1855 e, em 1875, começou a ser exportada até à América. Em pouco mais de cem anos, esta fruta recebeu 203 prêmios internacionais e nacionais. (Fonte: DGADR)

A Ameixa d' Elvas confitada em calda é muito apreciada, especialmente, quando acompanhada de Sericaia-doce conventual com origem, talvez, na Índia que ultrapassou as paredes dos conventos e tornou-se num doce do Alentejo e de Elvas em particular.